Crise?

Muitos economistas preveem uma recessão nos próximos meses. A guerra da Ucrânia tem tido um impacto global assolador nas cadeias de valor agrícolas e de commodoties, gerando tensões acrescidas em termos sociais e políticos. A certeza de uma recessão não é, no entanto, absoluta para Portugal, já que a taxa de crescimento do PIB (fruto de uma recuperação ímpar da procura, do turismo e do investimento, com energia a preços ligeiramente mais baixos do que na Europa) tem colocado o país à margem de uma situação mais grave. Na verdade, o país registará, provavelmente, o maior crescimento da UE – o que, conjugado com a alta inflação, levará a uma significativa descida da dívida nacional (o que é tão mais importante, quando os custos da dívida começam a subir). Neste sentido, as nossas PMEs enfrentam em final de 2022 e início de 2023 um momento complexo.

A subida da energia e de alguns inputs alia-se à competição pelo talento e, até em sentido positivo, um aumento da procura fruto da substituição de importações de mercados como a China. Também em 2023 sentiremos o impacto dos apoios do Portugal 2030 e do que a Estratégia de Especialização Inteligente poderá trazer ao necessário processo de transformação da economia. Nas boas notícias, a “pool” de capital humano tem melhorado em Portugal. Muitas empresas de tecnologia procuram hoje Portugal como uma base para as suas estratégias de crescimento, atraídas pela singularidade do país. A região parece ir no caminho certo, com a Startup Leiria a ser um dos membros fundadores do Portugal Tech Hub. Esta é uma iniciativa de mais de 20 entidades públicas e privadas – entre as quais a Landing.Jobs, o IAPMEI, a Aicep e a Startup Lisboa – que tem como objetivo promover o ecossistema do país junto de profissionais de tecnologia e empresas estrangeiras. Os objetivos são a promoção de fluxos de imigração para Portugal de profissionais das TI de outros países por forma a mitigar a escassez atual desta classe profissional e afirmar o país como um dos maiores Hubs de talento e tecnologia a nível global.

Por outro lado, Leiria aparece também hoje nos 7 melhores ecossistemas de inovação do país e no mapa global das startups. Sabemos, no entanto, que se por um lado, esta mão-de-obra é ainda insuficiente para a procura, por outro a quantidade de empresas que pode potenciar este capital humano é igualmente curta. Não podemos esquecer que 96% das empresas têm menos de 10 colaboradores e situam-se em setores tradicionais, posicionadas na cadeia de valor a montante, com dificuldades em gerar valor acrescentado, que possa justificar preços e margens elevadas (que permitam empregar, com salários razoáveis, a mão-de-obra mais qualificada que começa a abundar no país). Resta saber seremos capazes de bolinar a tormenta que se adivinha

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