O Empreendedorismo Social é o uso de práticas de negócios inteligentes para criar soluções para problemas sociais.

De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, duas coisas essenciais são necessárias para que uma atividade seja classificada como empreendedorismo social. Em primeiro lugar, deve ser impulsionado pela criação de valor social em oposição à captura de valor. Isso significa que o resultado final de um empreendimento é contribuir para o bem social em vez de colher benefícios financeiros de curto prazo. Esta diretriz exclui operações como programas de responsabilidade corporativa e empreendedorismo tradicional. Em segundo lugar, o empreendimento deve ser baseado no mercado em vez de não baseado no mercado. Ou seja, precisa de competir no setor com fins lucrativos – isto exclui voluntariado, trabalho sem fins lucrativos e ações governamentais.

Existem diversos exemplos globais de empreendedorismo social. Muhammad Yunus fundou o Grameen Bank e tirou 10 milhões de pessoas da pobreza entre 1990 e 2008, ganhando o Prémio Nobel da Paz em 2006 (com a ideia revolucionária de microcrédito – ajudar quem realmente precisa, sem garantias).

Os fundadores da Misfit Foods resgataram mais de 10 milhões de libras de produtos e reciclaram esses alimentos em salsichas feitas de forma sustentável.

Scott Harrison fundou a Water, para levar água potável limpa e segura para pessoas em países em desenvolvimento. Doadores privados cobrem os custos operacionais e, até o momento, foram financiados 38.113 projetos de água, ajudando quase 10 milhões de pessoas a conseguir água potável.

Blake Mycoskie fundou a TOMS, desenvolvendo um modelo de negócio que ajuda outro indivíduo em cada produto adquirido. Nos últimos 15 anos, a TOMS Shoes forneceu calçado para quase 86 milhões de crianças, os óculos TOMS ajudaram a restaurar a visão de 600.000 pessoas e forneceu água potável a milhares de outras. 

Entre a pobreza e a fome, o aquecimento global e o tratamento do gado, os empreendedores sociais usam a experiência empresarial para inovar. O “Portugal Inovação Social” tem apoiado centenas de projetos inovadores e, com a pandemia, surgiram iniciativas como o StudentKeep (um sistema para angariação e doação de equipamento informático para alunos); o Tools4edu (simples vídeos sobre a utilização das ferramentas e plataformas digitais), o SOS Vizinho ou o acalma.online, (videoconsultas de apoio psicológico gratuito).

Em Leiria temos vários projetos que vão desde o Speak, aos projetos apoiados pela SAMP e pela Incubadora Social da Startup Leiria. Talvez não seja a solução para todos os problemas do mundo, mas perceber que este movimento global é cada vez mais importante, permite-nos acreditar que, como diz Yunus, fazer o bem pode compensar.

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