Energia

A recente subida abrupta dos preços da energia resulta de uma conjugação de vários fatores. Por um lado, decorre do aumento da procura de energia, resultante do fim das restrições impostas pela pandemia. Na verdade, a recuperação económica gerou uma nova onda de procura de energia, que aumentou ainda mais durante o verão quando as altas temperaturas levaram as pessoas a usar sistemas de ar-condicionado. A esta procura juntou-se a dos países Asiáticos, que também necessitam de relançar as economias. Paradoxalmente, esta procura não levou a um aumento da oferta de gás natural (input que se tornou essencial na transição verde europeia). De facto, com o encerramento das centrais térmicas a carvão, as energias renováveis não conseguem ainda colmatar toda a procura (e este ano a produção hídrica/eólica ficou aquém do esperado). No entanto, se analisarmos o custo da eletricidade, o preço da energia eólica e solar permanece estável. O aumento dos preços da eletricidade vem do gás, devido a uma simples razão técnica: em tempos de alta procura, as centrais a gás são necessárias para alimentar o sistema e este gás tem um preço muito mais alto do que as energias renováveis.

No espaço europeu as empresas de energia são obrigadas a participar no Sistema de Comércio de Emissões (ETS) da UE, o maior mercado de carbono do mundo. Por um lado, a UE estabelece um limite para a quantidade máxima de gases com efeito estufa que as instalações podem libertar, por outro lado, cria licenças para cada unidade de carbono emitida. As empresas podem comprar essas licenças e trocá-las entre si para atender às suas necessidades anuais. Mas como a transição verde ainda está num estágio inicial, as empresas sob o ETS são obrigadas a negociar permissões de carbono

Fatores geopolíticos, como a provável decisão russa de limitar o fornecimento de gás à Europa, têm também contribuído para esta subida. Finalmente, no espaço europeu as empresas de energia são obrigadas a participar no Sistema de Comércio de Emissões (ETS) da UE, o maior mercado de carbono do mundo. Por um lado, a UE estabelece um limite para a quantidade máxima de gases com efeito estufa que as instalações podem libertar, por outro lado, cria licenças para cada unidade de carbono emitida. As empresas podem comprar essas licenças e trocá-las entre si para atender às suas necessidades anuais. Mas como a transição verde ainda está num estágio inicial, as empresas sob o ETS são obrigadas a negociar permissões de carbono. A recuperação em expansão e a crise energética empurraram o preço do carbono em cerca de 80%, de €34 em meados de janeiro para mais de €60 em setembro.

No entanto, Bruxelas estima que as licenças no âmbito do ETS estão contribuindo apenas com uma pequena percentagem (mais de 20%) do aumento geral.  Esta subida tem riscos políticos sérios, porque os consumidores finais em mercados livres acabam por ver a sua fatura rapidamente encarecer – e atribuem essa culpa aos governos (e quando alguém vive no limiar da pobreza e não pode aquecer a sua casa, a transição verde será a última das suas preocupações). Nesse sentido, Bruxelas tem uma árdua tarefa pela frente, que envolve acelerar ainda mais a transição verde (e não ceder a pressões – na verdade se esta tivesse começado mais cedo este problema não existiria hoje), aumentar a eficiência energética de forma transversal e criar mecanismos fiscais variáveis, que apoiem empresas e consumidores nos picos.

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