Portugal atingiu os 70% da população vacinada antes do previsto. Este é um facto interessante e que pode ser celebrado como um ponto de viragem na situação de crise que vivemos. Boas notícias também do lado das exportações portuguesas, que aumentaram 21,4% em junho face ao mesmo mês de 2020 e ficando mais de 8% acima de junho de 2019. No conjunto do segundo trimestre, as vendas de bens ao exterior ficaram acima do pré-crise. Finalmente, as primeiras tranches da “bazuca” europeia começam a entrar no país, ativando o Plano de Recuperação e Resiliência.

“Boas notícias também do lado das exportações portuguesas, que aumentaram 21,4% em junho face ao mesmo mês de 2020 e ficando mais de 8% acima de junho de 2019”

Numa outra notícia, igualmente relevante, em termos de capital humano, o país registou um número record de candidatos ao ensino superior. Em conjunto, todos estes dados poderiam auspiciar um futuro económico mais risonho. Mas Portugal tem desde sempre um problema de organização e outro de criação de valor. Note-se que o facto de celebrarmos a eficiência da nossa campanha de vacinação, mostra quão incomum é fazer “o esperado”. Numa sociedade eficiente seria a norma os projetos, programas e iniciativas, decorrerem de acordo com o planeado e a exceção seria faltar ao prometido.

Ineficiência é a norma

Contudo, em Portugal a ineficiência é muitas vezes a norma. Será possível alterar esta tendência? Se o “pool” de capital humano tem melhorado em Portugal, com a taxa de escolaridade do ensino superior da população residente entre os 30 e os 34 anos a atingir os 43% no 4º trimestre de 2020, superando pela primeira vez a meta europeia de 40%, assumida no âmbito da Estratégia Europa 2020, a verdade é que a quantidade de empresas que pode potenciar este capital humano é ainda curta.

não podemos esquecer que 99,7% das empresas portuguesas são PMEs (o que por si não é incomum face a outros países), mas 96% das empresas têm menos de 10 colaboradores

Não podemos esquecer que 99,7% das empresas portuguesas são PMEs (o que por si não é incomum face a outros países), mas 96% das empresas têm menos de 10 colaboradores e situam-se em setores tradicionais, posicionadas na cadeia de valor a montante, com dificuldades em gerar valor acrescentado que possa justificar preços e margens elevadas (que permitam empregar, com salários razoáveis, a mão-de-obra mais qualificada que começa a abundar no país). Esta realidade tem sido contínua e nenhum plano governamental parece endereçá-la.

Este seria o momento ideal para uma política industrial mais assertiva, que tivesse como objetivo a matriz económica do país, mas no meio das boas notícias, de que tanto precisamos, parece que vamos mais uma vez falhar uma oportunidade, permanecendo como sempre, algures entre o céu e o inferno (económico).

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