É possível gerir energia?

O mundo enfrenta a mais séria crise de energia desde a década de 1970, colocando uma enorme pressão sobre muitas empresas. Os preços do gás, eletricidade e combustíveis dispararam. A crise forçou as empresas a administrarem os custos crescentes, servindo como uma árdua recordação de que também é fundamental “gerir energia”. As empresas que operam em mercados mais desregulamentados, como a UE e alguns estados dos EUA, foram particularmente afetadas, assim como empresas mais intensivas em energia (como a cerâmica), que acabaram por decidir parar a produção. Aparentemente, devido à guerra e procura, os preços globais do gás natural e do petróleo irão permanecer elevados.

O mundo enfrenta a mais séria crise de energia desde a década de 1970, colocando uma enorme pressão sobre muitas empresas.

A inflação (energética e geral) tem hoje um impacto indelével na diminuição do rendimento disponível.  Embora a solução mais óbvia de redução dos custos seja a redução do próprio consumo de energia, a verdade é que se os preços do gás subirem 450%, não se pode reduzir o consumo de energia na mesma quantidade (e nem todas as empresas têm capacidade para diminuir de forma drástica o seu consumo, por exemplo, recorrendo a esquemas de energia renovável). Uma solução poderá ser trabalhar com empresas especializadas em gerir riscos de energia. Tanto o “hedge” (arbitragem) de risco financeiro, quanto o de energia física, teriam sido benéficos para as empresas durante este ciclo de mercado. Uma boa parte dos negócios, que não são particularmente intensivos em energia (onde a energia representa até 5% dos custos totais) têm contratos de longo prazo, que dificultam a compensação dos custos crescentes (transferi-los ao consumidor).

Recomenda-se que estas empresas tenham um processo de “hedge” de quatro a cinco anos, para garantir a estabilidade orçamental (por exemplo, a compra de energia na primavera de 2020, quando os preços atingiram mínimos históricos, proporcionou custos muito mais baixos para 2021). Os negócios de risco de mercado são mais intensivos em energia e são frequentemente encontrados nas cadeias de abastecimentos industriais, onde ocorre o processamento de matérias-primas (por exemplo, produção de cimento, vidro ou papel).

Embora o “hedge” ajude estas empresas, elas podem transferir os custos para os clientes, principalmente no atual ambiente de procura. Finalmente, as empresas de risco de sobrevivência têm muita dificuldade em aumentar os preços, pois têm concorrentes com preços de energia estruturalmente baixos, como resultado de sua localização. Exemplos disso podem incluir a concorrência petroquímica de empresas sediadas no Oriente Médio, ou na Europa de empresas de indústrias intensivas em energia em países como França e Alemanha, que beneficiam de grandes reduções nos custos regulados. Esses negócios precisam de processos de arbitragem particularmente complexa.

Em qualquer dos casos, seja pela guerra ou revolução verde, gerir é também hoje uma questão de enegia.

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