Nos últimos anos os termos “digitalização”, “indústria 4.0”, “transformação digital”, passaram a fazer parte do nosso léxico, por vezes até de forma exagerada, querendo designar o tudo e o nada. Apesar da sua prevalência e do seu carácter de “Buzz-word”, todos sabemos que representam aquilo que vimos acontecer nos últimos anos – primeiro a digitalização do consumo e comércio (com a Amazon e Apple a liderarem esta vaga), a digitalização da sociedade (com a proliferação de redes sociais), a digitalização do conhecimento (da internet às intranets, bases de dados mais ou menos inteligentes), passando pela digitalização do escritório (dos ERPs aos sistemas mais ou menos inteligentes de “business intelligence”, ao escritório digital da Microsoft) e, finalmente, à digitalização da indústria (com os CPS, IoT e integração de cadeias de valor).

A mentalidade de gastar centenas de milhares de euros numa máquina, mas ver o investimento em pessoas ou software como secundário, tem cada vez mais colocado as nossas empresas em desvantagem competitiva.

Esta revolução fez-nos mostrar que o petróleo do século XXI são os dados e que a diminuição dos custos de transação permitiu a ascensão de empresas a valerem triliões, bem como de negócios peer-to-peer, como o Uber. Novas empresas como a Tesla mostraram que fazer carros é também controlar dados e tecnologia e os modelos de inteligência artificial estão hoje desde os chatbots, à otimização e manutenção preventiva das máquinas que usamos para produzir. Entre os vários problemas inesperados destas “revoluções”, como o domínio global das empresas americanas e chinesas, o desmoronar da privacidade, ou os problemas das economias de rede que geram negócios de “o vencedor fica com tudo”, existem alguns que os nossos gestores e empresários não souberam, de todo, lidar..

A mentalidade de gastar centenas de milhares de euros numa máquina, mas ver o investimento em pessoas ou software como secundário, tem cada vez mais colocado as nossas empresas em desvantagem competitiva. Software, sistemas, pessoas, são essenciais no mundo moderno. Esses investimentos são cruciais para a competitividade. O salário de um programador, o salário de um responsável de cibersegurança, o custo de um software são vistos como “gastos”. Mas a máquina ou o armazém são “investimentos”. Ora, enquanto esta perspetiva continuar, a posição das empresas nacionais continuar-se-á a erodir. E será sempre mais fácil culpar um qualquer governo do que assumir a responsabilidade de uma má gestão. Não há investimento em firewalls, back-ups, contratação de um especialista em cibersegurança? Não se quer pagar mais 200/300 euros a um colaborador que tem o potencial de revolucionar os processos de gestão e produção da empresa? Os últimos dados sobre competitividade, qualidade da gestão e os últimos ataques informáticos são razão mais do que suficiente para acordar… mas será que vamos a tempo?).

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